A Caixa Econômica Federal suspendeu nesta quinta-feira a concessão de
novos financiamentos à MRV Engenharia, após filiais da construtora
terem sido incluídas no cadastro de trabalho escravo do Ministério do
Trabalho, criando um obstáculo para a maior repassadora de recursos do
programa "Minha Casa, Minha Vida".
Na quarta-feira, a construtora
mineira teve dois projetos incluídos na lista do Ministério do Trabalho
que reúne empregadores que tenham submetido funcionários a condições
análogas às de escravo: Residencial Parque Borghesi, em Bauru, e
Condomínio Residencial Beach Park, em Americana, ambos no interior de
São Paulo. Segundo dados do Ministério, fiscalizações realizadas em
março e abril de 2011 resultaram em 68 trabalhadores resgatados em
condições análogas a escravidão, o que levou a MRV a pagar multa
rescisória de aproximadamente 230 mil reais.
- Enquanto o problema
que deu origem à inclusão não for resolvido, o infrator fica impedido
de ter acesso a novos créditos -, disse o banco em comunicado,
acrescentando que no momento não ter novas propostas em vias de ser
contratadas com a MRV.
A Caixa é signatária do Pacto Nacional pela
Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil. A MRV é uma das principais
parceiras da Caixa e a maior repassadora de recursos do programa "Minha
Casa, Minha Vida", do governo federal, cuja segunda fase prevê 2,6
milhões de moradias contratadas até 2014. As operações da companhia já
contratadas junto à Caixa não serão suspensas, segundo o banco, "uma vez
que uma eventual paralisação de obras já iniciadas, além dos sérios
prejuízos econômico-financeiros, resultaria, de pronto, em desemprego
dos trabalhadores que estejam sendo utilizados nessas obras."
A
MRV informou, em nota nesta quinta-feira, que "acredita que a situação
será resolvida em um curto prazo". "A MRV repudia veementemente qualquer
prática que não respeite os direitos trabalhistas de colaboradores do
seu quadro de empregados e dos quadros de seus fornecedores e
parceiros", afirmou a empresa na véspera, em comunicado, se dizendo
"surpreendida com a inclusão de seu nome no cadastro". A MRV também
informou estar tomando todas as medidas para remover seu nome do
cadastro.
Para ter o nome retirado do cadastro de trabalho
escravo, o Ministério impõe como condição o monitoramento direto ou
indireto por dois anos para "verificar a não reincidência na prática do
trabalho escravo e o pagamento das multas resultantes da ação fiscal".
Além de responderem a processos, os empregadores incluídos na lista
perdem o direito a financiamentos privados e públicos, o que inclui
recursos providos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES). A última atualização do cadastro do Ministério do
Trabalho, de 31 de julho, reuniu 398 nomes de empregadores.
As
ações da MRV encerraram o pregão com perda de 5,78 por cento, a maior
queda desde 20 de julho, quando o papel perdeu 6,35 por cento, e a maior
desvalorização do Ibovespa, que recuou 1,37 por cento. Somada à queda
da véspera, a ação acumula perdas de 9,4 por cento em dois dias.
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