O Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB), atendendo a uma
ação de iniciativa popular, está se posicionando pela anulação do
concurso público realizado pela prefeitura de Rio Tinto, município
litoral norte paraibano, localizado a 57 quilômetros da capital, João
Pessoa. O concurso está sob a responsabilidade da Empresa Exame &
Consultoria Ltda.
"A adoção de pregão, que é uma modalidade de
licitação de tipo menor preço, não se revela adequado, tampouco
conveniente para a contratação de empresa destinada a realização de
concurso público com o propósito de preencher cargos do serviço público
municipal", diz o promotor de Justiça de Rio Tinto, Raldeck Oliveira,
coordenador estadual das Promotorias de Defesa do Patrimônio Público
(Caop do Patrimônio Público), lembrando que, dentre os cargos de
provimento efetivos ofertados no concurso, haviam os de médicos,
enfermeiros, advogados, fisioterapeutas e de professores.
Para
Raldeck Oliveira, a elaboração, escolha do conteúdo programático, a
definição de referências bibliográficas, a ordenação de gabaritos, a
aplicação e correção de provas, o exame de recursos, a divulgação de
resultados, enfim tudo que está vinculado ao certame, "sem sombra de
dúvida, é tarefa altamente especializada, vez que apresenta faceta de
caráter complexo".
"O pregão apresenta um procedimento
extremamente simples e superficial, o que o torna adequado apenas para
contratações que não envolvam complexidades", afirma o promotor,
acrescentando: "Cuidando-se o concurso público de serviço de natureza
predominantemente intelectual, o tipo de licitação legal para a
contratação de empresa voltada à sua realização será o de melhor técnica
ou técnica e preço, não se cogitando, nesse caso, das prerrogativas da
administração pública no âmbito de sua discricionariedade".
Ressaltando
que o caso de Rio Tinto não é um problema de fraude ou irregularidades,
Raldeck Oliveira ainda destaca: "Sou defensor intransigente do concurso
público, reprovando veementemente práticas fraudulentas e repulsivas
que de uma forma ou de outra burlam princípios constitucionais,
permitindo-se alguns certames que mais 'acolhem' do que 'escolhem'
cidadãos para o exercício de funções estatais; embora não tenha sido
esse o caso de Rio Tinto".
O promotor Raldeck Oliveira também
elogia a atitude do colega promotor de Justiça Hamilton de Souza Neves
Filho, que "vem fustigando o uso indevido de processo licitatório na
modalidade pregão, utilizado por gestores públicos nas contratações de
empresas responsáveis pela realização de concursos públicos, como
aconteceu na cidade de Sousa, no Alto sertão paraibano".
Fonte: ClickPB
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