O colapso no
abastecimento de água do município de Luís Gomes (452 km de Natal)
completa um ano nesta segunda-feira (29). Foi neste mesmo dia, no ano
passado, que as torneiras secaram na cidade, e, desde então, a agonia
dos moradores continua a mesma. A estiagem que afeta a região oeste do
Rio Grande do Norte desde o ano passado fez secar o açude Dona Lulu
Pinto, único manancial que abastecia o lugar. Com isso, a rotina da
pacata cidade, que tem 9.610 habitantes, segundo dados do IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mudou. Os moradores
têm de enfrentar uma maratona antes do sol nascer para conseguir um
pouco de água para levar para casa.
Diariamente a cena de enormes
filas com pessoas com baldes, latas de água e outras vasilhas se forma
logo ao amanhecer no centro da cidade. Apesar de estarem adaptados ao
racionamento de água, os moradores ainda se queixam de que a quantidade
trazida por caminhões pipa é insuficiente para toda cidade.
"No início existiam mais carros
particulares ofertando a venda de água, mas agora está cada vez mais
difícil. Custa caro e ainda tem o incômodo de ter que subir na caixa de
água para encher", disse o morador Francisco Morais, que compra 6.000
litros de água ao preço de R$ 120.
"Economizando muito, esta quantidade só
dá para 20 dias, numa casa com dois adultos e uma criança." A família
dele gasta em média R$ 150 por mês para ter água. No lugar do açude
existe um buraco com terra rachada. "A chuva deste ano sequer fez uma
lama no açude", disse Maria de Lourdes Alcântara, que mora no centro da
cidade e está ansiosa para que possa usar as torneiras da casa.
Ela é uma das centenas de mulheres que acordam antes de o sol nascer para conseguir um dos primeiros lugares na fila da caixa de água comunitária. "Sou dona de casa e recebo o bolsa-família. Se eu for comprar água não teremos o que comer aqui em casa. Não tem condições de gastar toda nossa renda comprando água", disse, destacando que quando consegue encher os baldes logo já sai rapidamente para levar a água para casa e retornar ao final da fila para tentar pegar mais um pouco.
Ela é uma das centenas de mulheres que acordam antes de o sol nascer para conseguir um dos primeiros lugares na fila da caixa de água comunitária. "Sou dona de casa e recebo o bolsa-família. Se eu for comprar água não teremos o que comer aqui em casa. Não tem condições de gastar toda nossa renda comprando água", disse, destacando que quando consegue encher os baldes logo já sai rapidamente para levar a água para casa e retornar ao final da fila para tentar pegar mais um pouco.
Reaproveitamento
Em Luis Gomes o reaproveitamento de água se tornou lei. As donas de casa fazem manobras para usar até a última gota. A água que lava a roupa serve para lavar o banheiro. A usada na cozinha é usada para dar descarga e regar as plantas. "Lavar a casa é coisa rara. A gente não pode se dar esse luxo porque água aqui é ouro. Economizamos até com as roupas, que tentamos usar repetidas vezes até lavar", disse a moradora Claudia Silva.
Em Luis Gomes o reaproveitamento de água se tornou lei. As donas de casa fazem manobras para usar até a última gota. A água que lava a roupa serve para lavar o banheiro. A usada na cozinha é usada para dar descarga e regar as plantas. "Lavar a casa é coisa rara. A gente não pode se dar esse luxo porque água aqui é ouro. Economizamos até com as roupas, que tentamos usar repetidas vezes até lavar", disse a moradora Claudia Silva.
Quando completou cem dias que o
município estava sem água o MP (Ministério Público Estadual) moveu uma
ação civil pública com pedido de tutela antecipada cobrando uma solução
em definitivo. O MP deu o prazo de seis meses para que a Caern
(Companhia de Águia e Esgoto do Rio Grande do Norte) resolvesse o
problema "permitindo a retomada, de forma contínua e ininterrupta, do
fornecimento de água tratada encanada nas torneiras das residências",
mas já se passaram 365 dias, e a água ainda não chegou às torneiras.
Solução
A Semarh (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) informou ao UOL que está investindo R$ 122 milhões na construção da Adutora do Alto Oeste, que vai levar água do Açude de Pau dos Ferros e da barragem de Santa Cruz do Apodi, para regularizar o abastecimento de água em Luís Gomes, além de municípios circunvizinhos ao sistema adutor, como Água Nova e Major Sales.
A Semarh (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) informou ao UOL que está investindo R$ 122 milhões na construção da Adutora do Alto Oeste, que vai levar água do Açude de Pau dos Ferros e da barragem de Santa Cruz do Apodi, para regularizar o abastecimento de água em Luís Gomes, além de municípios circunvizinhos ao sistema adutor, como Água Nova e Major Sales.
A adutora terá 320km de extensão e vão
beneficiar cerca de 200 mil pessoas. O prazo para finalização das obras é
para o mês de dezembro. Em contato com o UOL, a Caern informou que
desde que faltou água nas torneiras no município de Luis Gomes deixaram
de serem cobradas as contas de água. Para atender a população, a
companhia afirmou que seis carros pipa fazem cinco viagens diárias e o
líquido é colocado em reservatórios públicos. A Caern destacou que por mês distribui 3
milhões e duzentos mil litros de água sem custo para os moradores. Já o
custo para manter a operação, a companhia informou que é de R$ 94
milhões.
Fonte: Nordeste1
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